Possivelmente você vivenciou os sintomas de ansiedade e depressão em algum momento da vida. Por isso, é preciso ficar vigilante e saber diferenciar os sinais passageiros de quando se tornam excessivos e evoluem para uma doença.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um relatório com uma análise sobre como anda a saúde mental no mundo. O Brasil, por sua vez, apresenta números preocupantes e lidera o ranking.
O país é considerado o mais deprimido da América Latina. Aproximadamente, 16 milhões de brasileiros, maiores de 18 anos, sofrem com depressão. Além disso, somos os mais ansiosos do mundo, com cerca de 19 milhões de pessoas acometidos pela ansiedade.
Mas quais são os principais sintomas de ansiedade e depressão? Qual a diferença entre elas? Existe tratamento? Acompanhe a leitura e descubra a resposta para cada uma dessas perguntas.
Os principais sintomas de ansiedade e depressão
A ansiedade e a depressão são transtornos psiquiátricos que apresentam muitas semelhanças entre si. Afinal, ambas doenças possuem sintomas em comum, além de prejudicarem as relações sociais, comportamentais e profissionais do paciente.
Acredita-se, inclusive, que a ansiedade geralmente antecede ao transtorno depressivo. Cerca de 24% dos casos de ansiedade progridem para a depressão, enquanto apenas 2% dos casos apresentam a depressão desenvolvendo para um quadro ansioso.
Dessa forma, é preciso estar atento aos sintomas da ansiedade e depressão, para que assim seja possível reconhecer cada um deles.
Sintomas da Ansiedade
A ansiedade é uma resposta emocional e natural do Sistema Nervoso Central (SNC), projetada para nos defender ou alertar quando estamos diante de um risco iminente. O que pode ser desde uma situação desconfortável, como falar em público ou até mesmo medos irracionais.
Isso significa que, no geral, é um sentimento natural e benéfico para as pessoas. Mas pode se transformar num transtorno ansioso, a depender da frequência e intensidade dos seus sintomas, de ordem física e psicológica.
Em suma, essa resposta faz com que o corpo reaja e estimule o aumento da pressão sanguínea, os batimentos cardíacos, frequência respiratória, e estímulo da sudorese (suor). Diante disso, podemos sentir variados sintomas, sendo os mais frequentes:
- Nervosismo e apreensão;
- inquietação e angústia constantes;
- preocupação excessiva;
- medo intenso e irracional;
- dor de cabeça;
- náuseas;
- falta de ar;
- tremores;
- suor excessivo;
- crises de pânico;
- taquicardia; e
- problemas digestivos.
Quando os sintomas evoluem para a condição de transtorno de ansiedade, também são considerados as condições de: transtorno de ansiedade generalizada; fobias; transtorno de pânico, transtorno de estresse pós-traumático, entre outros.

Sintomas da Depressão
No caso da depressão, os sentimentos de tristeza profunda e/ou perda de interesse, características da doença, podem levar a diversos sintomas físicos, emocionais e comportamentais. De forma que a pessoa não possui motivação ou interesse para realizar tarefas que antes eram satisfatórias.
A depressão apresenta-se em diferentes graus, definidos de acordo com a intensidade em que os sintomas são manifestados, podendo ser mais leve ou mais grave. Entre os principais sintomas da depressão podemos destacar:
- angústia e solidão;
- desânimo e tristeza profunda;
- inquietação e irritabilidade;
- insegurança e baixa autoestima;
- pensamentos negativos e suicidas;
- fadiga constante;
- dificuldade de concentração;
- perda de interesse ou prazer nas atividades;
- apatia e desmotivação;
- insônia;
- desesperança;
- desleixo com higiene pessoal;
- mudanças repentinas de humor;
- sentimentos de culpa;
- fraqueza no corpo;
- alterações no apetite e perda de peso;
- nível de energia;
- baixa autoestima;
- ansiedade;
- choro excessivo; e
- isolamento social.
O que é depressão?
A depressão não trata-se de fraqueza, ausência de espiritualidade ou uma forma de chamar atenção. Mas sim um transtorno mental crônico grave, que afeta as emoções, o humor e o comportamento do paciente.
Isso por conta de desequilíbrios na bioquímica cerebral que impactam nos neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar, como a serotonina e dopamina. O que causa alterações no humor e problemas emocionais, com sintomas persistentes de tristeza e indiferença à vida.
Ou seja, enquanto a tristeza é passageira, a depressão é duradoura. A depender do quadro depressivo que o paciente se encontra, é possível que a pessoa consiga disfarçar os sinais e levar uma vida normal. Mas em casos mais graves, o distúrbio pode prejudicar significativamente as atividades diárias de uma pessoa.
Estima-se que até 25% da população já sofreu, sofre ou ainda sofrerá com a depressão, a doença mental de maior prevalência no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Importante destacarmos que essa é uma doença multifatorial, isto é, pode ser causada por fatores biológicos, genéticos, sociais e psicológicos. Entre seus gatilhos, estão situações consideradas traumáticas para o indivíduo, como a morte de uma pessoa próxima ou desemprego.
A diferença entre depressão e ansiedade
Como já vimos, apesar de ambas serem transtornos psiquiátricos, a depressão e a ansiedade são patologias diferentes. Cada uma tem suas causas, sintomas e tratamentos específicos.
Portanto, saber diferenciá-las é fundamental para compreender quando se torna necessário procurar ajuda de profissionais especializados para diagnóstico e tratamento. Seja para si mesma ou para uma pessoa próxima que está sofrendo com os sintomas de ansiedade e depressão.
Enquanto a depressão está relacionada a sentimentos persistentes de caráter emocional, com alterações de humor e pensamentos ligados a questões do passado.
Por outro lado, a ansiedade é algo que surge em momentos de estresse, ligado a preocupações com o que ainda irá acontecer, ou seja, o futuro.
Vale lembrar que é possível uma única pessoa manifestar ambas as doenças, visto que elas podem ser comorbidades uma da outra. Sendo que, nos quadros associados, os sintomas de ansiedade e depressão podem ser ainda mais graves e severos.
Neste caso, informações como o histórico médico, familiar e observação atenta dos sinais manifestados pelo paciente, auxiliam no diagnóstico assertivo. Por isso, é importante que busque acompanhamento médico o quanto antes.

Quais os tratamentos para depressão e ansiedade?
Tanto a depressão quanto a ansiedade possuem tratamento, que devem ser indicados por um médico especialista. Em geral, as opções incluem o uso de medicamentos, associados ou não a outros tipos de terapias.
Diversos métodos terapêuticos ajudam o paciente compreender seus pensamentos e sentimentos, e exercitar a sua presença, com o apoio de psicólogos, psicoterapeutas e psicanalistas.
Assim como mudanças no estilo de vida, com uma rotina de exercícios, alimentação balanceada e atividades de lazer. A fim de estimular naturalmente a produção e regulação dos neurotransmissores responsáveis pelo prazer e bem-estar.
Já a intervenção medicamentosa é indicada em casos mais graves, que seja necessário o controle dos sintomas por meio de antidepressivos e ansiolíticos. Porém, a medicação nem sempre alcança resultados satisfatórios, sem contar os efeitos colaterais que impactam a qualidade de vida do indivíduo.
Diante disso, a terapia com produtos à base de Cannabis vem se tornando uma opção alternativa de tratamento. Evidências apontam que as propriedades da planta são capazes de modular a resposta dos neurotransmissores e, assim, promover os mesmos efeitos antidepressivos e ansiolíticos no corpo.
Vale lembrar que quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maior será a eficácia do tratamento, reduzindo significativamente a probabilidade de reincidência da doença ou até mesmo o suicídio.
Por isso, é preciso que amigos, familiares e pessoas próximas estejam atentas aos sinais e sintomas que indicam a prevalência das doenças. Se você ou alguém conhecido está com sintomas de ansiedade e depressão, lembre-se: o primeiro passo é buscar ajuda.
Neste artigo, você conheceu um pouco mais sobre os sintomas de ansiedade e depressão, suas diferenças e as principais opções de tratamentos. Continue acompanhando o nosso blog e redes sociais, e mantenha-se informado.
Referências
Baldwin DS, Evans DL, Hirschfeld RM, Kasper S. Can we distinguish anxiety from depression? Psychopharmacol Bull. 2002 . 36 Suppl 2:158-65. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12490832
Robin N. Groen1, Oisín Ryan, Johanna T. W. Wigman, Harriëtte Riese, Brenda W. J. H. Penninx, Erik J. Giltay, Marieke Wichers1 and Catharina A. Hartman. Comorbidity between depression and anxiety: assessing the role of bridge mental states in dynamic psychological networks.