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Tourette: O que é, primeiros sintomas e quais tratamentos
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A Síndrome de Tourette ainda é cercada por dúvidas, estigmas e desinformação. Muitas vezes associada apenas a tiques visíveis ou à emissão involuntária de palavrões , essa condição neurológica é, na verdade, muito mais complexa e diversa do que o imaginário popular sugere. Para quem convive com o diagnóstico, os desafios podem envolver não apenas os sintomas motores e vocais, mas também impactos emocionais, sociais e escolares.

Compreender o que é a Tourette, reconhecer seus primeiros sinais e conhecer as opções de tratamento disponíveis é fundamental para promover acolhimento, diagnóstico precoce e manejo adequado. A informação de qualidade é uma ferramenta poderosa para reduzir preconceitos e oferecer suporte efetivo a pacientes e familiares.

sindrome de tourette

O que é Tourette?

 

A Síndrome de Tourette (também conhecida como Síndrome de Gilles de la Tourette) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por tiques motores e vocais involuntários. Esses tiques surgem tipicamente durante a infância, geralmente entre os 5 e 7 anos de idade. Além disso, a Tourette é uma condição neurológica complexa que envolve múltiplos tiques motores e, pelo menos, um tique vocal que persiste por mais de um ano.

A fisiopatologia da Tourette envolve alterações no circuito cortico-estriado-tálamo-cortical, região do cérebro responsável pelo controle motor. Portanto, esses tiques não são voluntários nem controlados conscientemente. A etiologia da Tourette é multifatorial, envolvendo predisposições genéticas e fatores ambientais. Dados epidemiológicos indicam que a Tourette afeta aproximadamente 0,3% a 1% da população mundial, sendo significativamente mais comum em homens (afetando cerca de 3 a 4 vezes mais do que mulheres).

Importante destacar que a Síndrome de Tourette não representa deficiência intelectual ou transtorno psicológico. Mas sim, trata-se de uma condição neurológica que requer manejo clínico apropriado. Muitos pacientes com Tourette apresentam melhora significativa dos sintomas durante a adolescência. Contudo, em alguns indivíduos, a Tourette pode persistir na vida adulta com menor gravidade.

Tourette

Quais são os sintomas?


Os sintomas da Síndrome de Tourette manifestam-se por meio de tiques motores e vocais de diferentes tipos e complexidades. Primeiramente, os tiques motores podem ser simples (como piscar excessivamente, fazer caretas ou movimentos de ombros) ou complexos (como executar gestos coordenados, pular ou tocar objetos repetidamente). Assim sendo, esses movimentos são involuntários e não rítmicos, variando em frequência e intensidade.

Os tiques vocais, por sua vez, incluem manifestações simples como pigarrear, tossir ou emitir grunhidos e sons semelhantes a latidos. Além disso, tiques vocais complexos podem incluir a repetição de palavras próprias ou alheias (ecolalia) e, em casos mais graves, a emissão de palavrões (coprolalia, que ocorre em 10% a 30% dos pacientes com Tourette). Uma característica distintiva é a sensação premonitória ou “urgência” que precede os tiques.

Particularmente importante mencionar que os sintomas da Tourette variam consideravelmente entre os indivíduos e podem mudar ao longo do tempo. Frequentemente, os tiques pioram em situações de estresse, excitação ou ansiedade. Inversamente, tendem a melhorar quando o indivíduo está concentrado em atividades específicas. A maioria das crianças apresenta o pico de gravidade dos tiques entre os 10 e 12 anos. Portanto, compreender essas variações é essencial para o manejo eficaz.

Além disso, a Síndrome de Tourette frequentemente apresenta comorbidades psiquiátricas associadas. Neste contexto, estimativas indicam que entre 80% a 90% dos pacientes com Tourette têm uma ou mais condições psiquiátricas comórbidas. As mais comuns incluem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), ansiedade e depressão. Consequentemente, o diagnóstico e tratamento da Tourette devem considerar essas comorbidades de forma integrada.

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Como diagnosticar a Síndrome de Tourette?


O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação cuidadosa da história clínica do paciente. Não existem marcadores biológicos específicos ou exames de imagem que confirmem definitivamente a Tourette. Portanto, a avaliação clínica detalhada é o padrão ouro. O diagnóstico segue critérios estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), que exigem a presença de múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal com duração superior a um ano.

Especialidades médicas indicadas para realizar o diagnóstico e acompanhamento da Síndrome de Tourette incluem neurologistas, neuropediatras e psiquiatras especializados. Esses profissionais realizam avaliação neurológica completa, investigam a história familiar de Tourette ou transtornos de tiques e avaliam a presença de comorbidades psiquiátricas. Além disso, utilizam escalas padronizadas para quantificar a gravidade dos tiques, como a Yale Global Tics Severity Scale (YGTSS) e a Premonitory Urge for Tics Scale (PUTS).

O processo diagnóstico deve incluir avaliação diferencial para descartar outras condições neurológicas, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), transtornos do movimento secundários a medicações ou transtornos funcionais. Importante mencionar que os comportamentos repetitivos no TEA são rítmicos e autorreguladores, enquanto os tiques da Tourette são não rítmicos e precedidos por sensações premonitórias. Consequentemente, uma anamnese detalhada e exame físico minucioso são cruciais para diferenciação adequada.

Além dos aspectos diagnósticos, a avaliação deve abordar o impacto funcional dos tiques na vida escolar, social e familiar do paciente. Portanto, durante a consulta inicial, questiona-se sobre o início dos sintomas, progressão temporal, fatores precipitantes (como estresse), modificações sazonais e resposta a tratamentos prévios. Essa informação abrangente permite formulação de plano terapêutico individualizado que considere a gravidade da Tourette e suas comorbidades associadas.

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Quais são os tratamentos da Síndrome de Tourette?

 

O tratamento da Síndrome de Tourette é multidimensional e personalizado, considerando a gravidade dos tiques, impacto funcional e presença de comorbidades. Não existe cura definitiva para a Tourette; contudo, as abordagens terapêuticas objetivam reduzir a frequência e intensidade dos tiques. Assim, melhorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Tradicionalmente, o tratamento inclui medicações antipsicóticas (como haloperidol e risperidona), agonistas adrenérgicos (clonidina e guanfacina) e terapias comportamentais, particularmente a Terapia Comportamental Abrangente para Tiques (CBIT) e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Recentemente, a Cannabis medicinal emergiu como uma opção terapêutica promissora para a Tourette. Estudos científicos de alta qualidade demonstram que canabinoides, especialmente Canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC), reduzem significativamente os tiques motores e vocais. Um estudo integrativo recente analisou dados de mais de 400 pacientes com Tourette, evidenciando que produtos contendo Cannabis resultaram em redução significativa na gravidade dos tiques, conforme mensurado por escalas clínicas padronizadas. Portanto, a Cannabis representa uma alternativa viável aos tratamentos convencionais.