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11 Doenças que podem ser tratadas com Cannabis medicinal
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Nos últimos anos, a Cannabis medicinal deixou de ser tabu e passou a ocupar um espaço cada vez maior nos consultórios brasileiros. Impulsionada por evidências científicas crescentes, ela é hoje reconhecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como alternativa terapêutica complementar para diversas condições de saúde. Neste artigo, reunimos as 11 doenças que podem ser tratadas com Cannabis medicinal com maior respaldo científico e sempre como parte de um tratamento conduzido por um médico.

O que é o sistema endocanabinoide?

Antes de entrar em cada condição, vale entender por que a planta Cannabis sativa L. interage com o corpo humano. Nosso organismo possui o sistema endocanabinoide, uma rede de receptores (CB1 e CB2) distribuída pelo cérebro, sistema nervoso e sistema imunológico. Ela ajuda a regular funções como dor, sono, humor, apetite e resposta inflamatória.

Os canabinoides da planta, como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), interagem com esse sistema. É essa interação que explica o potencial terapêutico observado em diferentes condições clínicas, sempre com intensidade e evidência variáveis de acordo com a doença. 

 

As 11 doenças que podem ser tratadas com Cannabis medicinal

A seguir, veja as 11 doenças e condições associadas ao uso de Cannabis medicinal com maior volume de pesquisa científica publicada até o momento. É importante destacar: o nível de evidência varia bastante de uma condição para outra, e detalhamos isso caso a caso.

Fibromialgia


1. Dor crônica

A dor crônica, aquela que persiste por mais de três meses,  está entre as condições mais estudadas no universo da Cannabis medicinal. Uma revisão sistemática publicada em 2024 na revista Pharmaceuticals reuniu 40 estudos clínicos e pré-clínicos e concluiu que o CBD apresenta propriedades analgésicas e anti-inflamatórias relevantes, atuando principalmente pela ativação dos receptores TRPV-1, 5-HT1A e CB1 [Cásedas et al., 2024]. Outra revisão sistemática, publicada em 2023 no Pain Management Nursing, encontrou redução da dor entre 42% e 66% em pacientes que usaram CBD isolado ou associado ao THC [Mohammed et al., 2023].

Assim, a Cannabis medicinal pode auxiliar no manejo da dor crônica, sobretudo quando os analgésicos convencionais não trazem alívio suficiente, sempre como parte de um plano terapêutico multidisciplinar.

Dor cronica - pessoa com dor cronica nas mãos


2. Fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome de dor generalizada, acompanhada de fadiga e distúrbios do sono, que atinge majoritariamente mulheres. Um ensaio clínico brasileiro, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em Florianópolis (SC), avaliou um óleo de Cannabis rico em THC em 17 mulheres com fibromialgia. Após oito semanas, o grupo tratado apresentou queda significativa no escore do Fibromyalgia Impact Questionnaire, com melhora perceptível em itens como dor, fadiga e disposição para o trabalho, sem efeitos adversos intoleráveis [Chaves et al., 2020].

Diretrizes clínicas publicadas em 2023 na Cannabis and Cannabinoid Research também apontam evidência de benefício de medicamentos à base de canabinoides no manejo de comorbidades associadas à fibromialgia, como distúrbios do sono e ansiedade [Bell et al., 2023]. 

Ressonância magnética epilepsia


3. Epilepsia

A epilepsia é, provavelmente, a condição com maior nível de evidência científica sobre canabinoides. O CBD purificado, conhecido internacionalmente pelo nome comercial Epidiolex, já recebeu aprovação da FDA (EUA) e da EMA (União Europeia) como terapia complementar para crises associadas às síndromes de Dravet e de Lennox-Gastaut.

Uma revisão sistemática publicada em 2021 na CNS Drugs reuniu 42 estudos e concluiu que o CBD purificado apresenta resposta terapêutica também em outras encefalopatias epilépticas raras [Lattanzi et al., 2021]. Uma metanálise de 2022, publicada na Experimental Neurology, reforçou o achado: pacientes tratados com CBD tiveram, em média, mais que o dobro de chance de reduzir a frequência de crises em pelo menos 50%, na comparação com placebo [Talwar et al., 2022]. No Brasil, o uso de canabidiol para controle de crises já é prática médica reconhecida, sempre sob prescrição e acompanhamento neurológico.

Parkinson


4. Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva que compromete tanto sintomas motores (tremores, rigidez, lentidão de movimentos) quanto não motores (sono, humor). Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, têm investigado o papel do CBD nesse cenário. Uma revisão de 2024 destaca propriedades neuroprotetoras, anti-inflamatórias e antioxidantes do canabidiol em modelos pré-clínicos da doença, com potencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes [Del-Bel et al., 2024].

Estudo anterior do mesmo grupo, de 2019, já discutia como a modulação do sistema endocanabinoide pode ajudar tanto nos sintomas motores do Parkinson quanto na discinesia induzida pela levodopa, efeito colateral comum do tratamento padrão [Ferreira Junior et al., 2019]. 

síndrome de tourette


5. Síndrome de Tourette

A síndrome de Tourette é um transtorno neurológico caracterizado por tiques motores e vocais crônicos, com poucas opções de tratamento eficazes disponíveis atualmente. Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e cruzado, publicado em 2023 na NEJM Evidence, testou um óleo combinando CBD e THC em 22 pacientes com Tourette grave ao longo de seis semanas. O grupo tratado apresentou redução expressiva na pontuação da Yale Global Tic Severity Scale, além de melhora na ansiedade e nos sintomas obsessivo-compulsivos associados. [Mosley et al., 2023].

Um estudo canadense de 2022, publicado na Cannabis and Cannabinoid Research, encontrou resultado semelhante: doses vaporizadas de THC reduziram a urgência pré-tique e a angústia associada aos tiques, embora sem diferença estatística na escala objetiva principal [Abi-Jaoude et al., 2022]. Os efeitos adversos cognitivos observados nos dois estudos reforçam que o tratamento deve ser individualizado e acompanhado de perto por um neurologista.

demência


6. Demência

A demência engloba um grupo de condições, como a doença de Alzheimer, caracterizadas por declínio progressivo da memória e da cognição. Aqui, a evidência científica é mais restrita: ela recai principalmente sobre o controle da agitação, um dos sintomas mais desgastantes tanto para pacientes quanto para cuidadores — não sobre o declínio cognitivo em si.

Um ensaio clínico randomizado, publicado em 2019 no American Journal of Geriatric Psychiatry, testou a nabilona (canabinoide sintético) em 39 pacientes com Alzheimer moderado a grave e encontrou redução significativa da agitação, embora com mais sedação no grupo tratado [Herrmann et al., 2019]. Uma revisão sistemática de 2020, publicada na Clinical Gerontologist, reforça esse achado: a nabilona parece útil para agitação, mas o THC isolado não mostrou diferença significativa frente ao placebo nos estudos disponíveis, e não há evidência de que canabinoides retardem o declínio cognitivo [Charernboon et al., 2020]. Ou seja, a Cannabis medicinal pode auxiliar no manejo de sintomas comportamentais específicos da demência, sempre sob supervisão geriátrica.

ansiedade


7. Ansiedade

Os transtornos de ansiedade afetaram cerca de 301 milhões de pessoas no mundo em 2019, segundo dados citados em estudo do Asian Journal of Psychiatry. Nesse ensaio clínico de fase 3, randomizado e controlado por placebo, 178 participantes com ansiedade leve a moderada receberam CBD nanodispersível por 15 semanas. Os pacientes tratados apresentaram queda expressiva nos escores das escalas GAD-7 e HAM-A, usadas para medir a gravidade da ansiedade, além de melhora na qualidade do sono [Gundugurti et al., 2024].

O mecanismo por trás desse efeito parece envolver a interação do CBD com receptores de serotonina (5-HT1A) e com o sistema GABAérgico, responsável pela regulação do sono e da ansiedade. Ainda assim, o canabidiol deve ser considerado uma ferramenta complementar à psicoterapia e, quando indicado, à medicação psiquiátrica.

insônia


8. Insônia

Dormir mal afeta até 30% da população em algum momento da vida. Um estudo australiano, randomizado, duplo-cego e cruzado, publicado em 2022 no Journal of Sleep Research, avaliou um óleo de Cannabis com THC e CBD em adultos com insônia. Ao final de duas semanas de tratamento, 60% dos participantes deixaram de preencher os critérios clínicos de insônia, com aumento de 30% nos níveis noturnos de melatonina salivar [Ried et al., 2022].

Já um ensaio piloto de 2024, publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine, testou CBD isolado em dose de 150 mg por noite: os resultados foram mistos, sem diferença estatística na maioria dos parâmetros de sono em relação ao placebo, ainda que o grupo CBD tenha relatado maior sensação de bem-estar [Narayan et al., 2024]. Esse contraste sugere que fórmulas combinando THC e CBD podem ter efeito mais consistente sobre o sono do que o CBD isolado, mas a escolha do produto deve ser sempre orientada por um médico.

Burnout

9. Burnout

A síndrome de burnout,  reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um fenômeno ocupacional, e não uma doença em si, é caracterizada por exaustão, despersonalização e queda de desempenho relacionadas ao trabalho. Diferentemente da maioria das condições citadas neste artigo, o burnout ainda conta com poucos ensaios clínicos testando canabinoides diretamente, mas já existe pelo menos um, conduzido no Brasil.

Um ensaio clínico randomizado da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, avaliou 300 mg/dia de CBD associado aos cuidados padrão em 120 profissionais de saúde da linha de frente da covid-19. 

Após 28 dias, o grupo tratado apresentou queda significativa na subescala de exaustão emocional do Maslach Burnout Inventory, em comparação aos cuidados padrão isolados [Crippa et al., 2021]. 

Já outros estudos, com estudantes de medicina e demais públicos, mostram o padrão inverso: associam o uso não supervisionado de Cannabis (fora de contexto terapêutico) a níveis mais altos de burnout e de estresse ocupacional, sugerindo automedicação, não necessariamente um efeito terapêutico [Yehudai et al., 2023; Kadhum et al., 2022]. Juntos, esses achados reforçam que eventual uso de CBD para burnout exige acompanhamento médico rigoroso, com monitoramento de função hepática, e não deve ser confundido com o uso recreacional de Cannabis.

esquizofrenia

10. Esquizofrenia

A relação entre Cannabis e esquizofrenia é a mais complexa desta lista, e merece cuidado redobrado. Por um lado, uma revisão de 26 estudos e metanálises, publicada em 2019 na European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience, mostrou que o uso de Cannabis rica em THC está associado a maior risco de desenvolver psicose, início mais precoce da doença e mais recaídas em pacientes já diagnosticados [Hasan et al., 2019]. Por outro lado, o canabidiol isolado vem sendo estudado como terapia adjuvante, e não como substituto dos antipsicóticos. Um ensaio clínico randomizado publicado em 2018 no American Journal of Psychiatry testou 1.000 mg/dia de CBD associado à medicação antipsicótica em 88 pacientes com esquizofrenia e encontrou redução dos sintomas psicóticos positivos, com boa tolerabilidade [McGuire et al., 2018].

Esses achados não se contradizem: eles mostram que THC e CBD têm efeitos opostos nesse contexto. Por isso, produtos com THC não são indicados para pacientes com esquizofrenia ou histórico de psicose, e o uso de CBD isolado como terapia adjuvante deve ocorrer exclusivamente sob acompanhamento psiquiátrico rigoroso, nunca como substituto do tratamento antipsicótico estabelecido.

TEA

11. Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O uso de Cannabis medicinal no Transtorno do Espectro Autista é um dos temas mais estudados por grupos de pesquisa brasileiros. Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com 60 crianças de 5 a 11 anos, avaliou um extrato de Cannabis rico em CBD ao longo de 12 semanas. Os resultados mostraram melhora estatisticamente significativa na interação social, um dos critérios diagnósticos do TEA, além de reduções na ansiedade e na agitação psicomotora [Silva et al., 2022]. Apenas 9,7% das crianças do grupo tratado apresentaram efeitos adversos leves, como sonolência, insônia, cólica e ganho de peso.

Os pesquisadores destacam que o canabidiol pode auxiliar no comportamento e na qualidade de vida de crianças com TEA, mas não trata a condição em si, que não tem cura. O acompanhamento multidisciplinar, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, continua sendo a base do cuidado.

Tabela: mecanismos e nível de evidência por condição

Tabela: mecanismos e nível de evidência por condição

Perguntas frequentes

A Cannabis medicinal cura alguma dessas doenças?

Não. As evidências atuais indicam que ela pode auxiliar no controle de sintomas e na melhora da qualidade de vida, mas não substitui o tratamento convencional nem cura essas condições.

A Cannabis medicinal é indicada para todo mundo?

Não. Cada condição tem um nível de evidência e um perfil de segurança diferente o caso da esquizofrenia, por exemplo, exige cuidado especial, já que produtos com THC podem piorar sintomas psicóticos. A indicação, o tipo de produto e a dose devem ser sempre definidos por um médico, considerando o histórico completo do paciente.

É preciso prescrição médica para usar Cannabis medicinal no Brasil?

Sim, produtos de Cannabis necessitam de receita médica de controle especial, a receita branca em duas vias, e é adquirida em farmácias convencionais.

 

A lista de doenças que podem ser tratadas com Cannabis medicinal cresce à medida que novos estudos são publicados, e universidades brasileiras como USP, UFPB e centros de pesquisa em Santa Catarina têm papel ativo nessa produção científica. Ainda assim, o nível de evidência varia muito entre as condições: enquanto a epilepsia já conta com décadas de pesquisa robusta, outras, como o burnout, ainda carecem de ensaios clínicos diretos. Cada organismo responde de forma diferente, e a Cannabis medicinal funciona melhor como parte de um plano terapêutico individualizado, nunca como primeira linha de tratamento.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui orientação médica. Converse com um médico especialista antes de iniciar qualquer tratamento com Cannabis medicinal.

 

Referências científicas

  1. Cásedas, G. et al. (2024). Cannabidiol (CBD): A Systematic Review of Clinical and Preclinical Evidence in the Treatment of Pain. Pharmaceuticals. DOI
  2. Mohammed, S. Y. M. et al. (2023). Effectiveness of Cannabidiol to Manage Chronic Pain: A Systematic Review. Pain Management Nursing. DOI
  3. Chaves, C. et al. (2020). Ingestion of a THC-Rich Cannabis Oil in People with Fibromyalgia: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial. Pain Medicine. DOI
  4. Bell, A. D. et al. (2023). Clinical Practice Guidelines for Cannabis and Cannabinoid-Based Medicines in the Management of Chronic Pain and Co-Occurring Conditions. Cannabis and Cannabinoid Research. DOI
  5. Lattanzi, S. et al. (2021). Highly Purified Cannabidiol for Epilepsy Treatment: A Systematic Review of Epileptic Conditions Beyond Dravet Syndrome and Lennox-Gastaut Syndrome. CNS Drugs. DOI
  6. Talwar, A. et al. (2022). Clinical efficacy and safety of cannabidiol for pediatric refractory epilepsy indications: A systematic review and meta-analysis. Experimental Neurology. DOI
  7. Del-Bel, E. et al. (2024). A journey through cannabidiol in Parkinson’s disease. International Review of Neurobiology (USP, Ribeirão Preto). DOI
  8. Ferreira Junior, N. C. et al. (2019). Cannabidiol and Cannabinoid Compounds as Potential Strategies for Treating Parkinson’s Disease and L-DOPA-Induced Dyskinesia. Neurotoxicity Research (USP). DOI
  9. Mosley, P. E. et al. (2023). Tetrahydrocannabinol and Cannabidiol in Tourette Syndrome. NEJM Evidence. DOI
  10. Abi-Jaoude, E. et al. (2022). A Double-Blind, Randomized, Controlled Crossover Trial of Cannabis in Adults with Tourette Syndrome. Cannabis and Cannabinoid Research. DOI
  11. Herrmann, N. et al. (2019). Randomized Placebo-Controlled Trial of Nabilone for Agitation in Alzheimer’s Disease. American Journal of Geriatric Psychiatry. DOI
  12. Charernboon, T. et al. (2020). Effectiveness of Cannabinoids for Treatment of Dementia: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. Clinical Gerontologist. DOI
  13. Gundugurti, P. R. et al. (2024). Evaluation of the efficacy, safety, and pharmacokinetics of nanodispersible cannabidiol oral solution versus placebo in mild to moderate anxiety subjects. Asian Journal of Psychiatry. DOI
  14. Ried, K. et al. (2022). Medicinal cannabis improves sleep in adults with insomnia: a randomised double-blind placebo-controlled crossover study. Journal of Sleep Research. DOI
  15. Narayan, A. J. et al. (2024). Cannabidiol for moderate-severe insomnia: a randomized controlled pilot trial of 150 mg of nightly dosing. Journal of Clinical Sleep Medicine. DOI
  16. Yehudai, M. et al. (2023). COVID-19 Fear Impact on Israeli and Maltese Female “Help” Profession Students. International Journal of Environmental Research and Public Health. DOI
  17. Kadhum, M. et al. (2022). Wellbeing, burnout and substance use amongst medical students: A summary of results from nine countries. International Journal of Social Psychiatry. DOI
  18. Hasan, A. et al. (2019). Cannabis use and psychosis: a review of reviews. European Archives of Psychiatry and Clinical Neuroscience. DOI
  19. McGuire, P. et al. (2018). Cannabidiol (CBD) as an Adjunctive Therapy in Schizophrenia: A Multicenter Randomized Controlled Trial. American Journal of Psychiatry. DOI
  20. Silva, E. A. et al. (2022). Evaluation of the efficacy and safety of cannabidiol-rich cannabis extract in children with autism spectrum disorder. Trends in Psychiatry and Psychotherapy (UFPB). DOI
  21. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). RDC nº 1.015/2026 — Autorização Sanitária para produtos de Cannabis para uso medicinal humano. gov.br/anvisa