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Cannabis e Burnout: esse tratamento é para você?
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Você chega ao fim do dia sem energia, mesmo depois de uma noite inteira de sono?
Além disso, o trabalho parece cada vez mais pesado e menos significativo?
Esse cenário levanta uma dúvida cada vez mais latente: Burnout.
E junto com ela a busca por tratamentos mais naturais e com menor efeito adverso.

Logo, cannabis e burnout podem caminhar juntos em um tratamento? Neste artigo, explicamos o que a ciência já mostra e por que a decisão deve sempre passar por um médico.

Mulher com a mão no rosto apontando exaustão

O que é burnout?

O burnout é uma síndrome resultante do estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ele aparece na 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, e não como uma condição de saúde. Por isso, o termo se refere ao contexto do trabalho e não deve ser usado para descrever outras áreas da vida.

A OMS descreve o burnout por três dimensões:

  • Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia.
  • Distanciamento mental do trabalho, com negativismo ou cinismo.
  • Redução da eficácia profissional.

Os sintomas costumam surgir de forma leve e piorar com o tempo. Entre eles estão exaustão, sentimento de derrota, alterações de humor, isolamento e dores no corpo. Em português, a síndrome também é chamada de esgotamento profissional e está classificada no código QD85 da CID-11.

Esse reconhecimento é importante, pois tira o burnout do campo da “fraqueza” e o coloca no campo da saúde. Contudo, o fato de não ser classificado como doença não torna o sofrimento menor. Quem vive o esgotamento sente os efeitos no corpo, no sono e nas relações, e merece acolhimento profissional.

Homem exausto segurando a placa escrito help(socorro)

O que diferencia o burnout da ansiedade e da depressão?

Os três quadros se parecem, e muitas vezes aparecem juntos. Estudos mostram uma correlação significativa entre burnout e ansiedade. Ainda assim, são conceitos diferentes.

A principal diferença está no alcance. O burnout se restringe ao campo profissional, enquanto a depressão é inespecífica e pode se desenvolver em qualquer área da vida. Já a ansiedade se caracteriza por preocupações desproporcionais, que levam à sensação de medo e antecipação. A depressão, por sua vez, está ligada a longos períodos de tristeza, desinteresse e perda de prazer.

A literatura psiquiátrica aponta outras diferenças:

Característica

Burnout Depressão

Vitalidade

Aparenta mais vitalidade

Menor

Prazer nas atividades

Mais capaz de sentir

Perda de prazer

Culpa

Mais realista, se presente

Culpa marcante

Insônia

Mais frequente no início do sono

Mais frequente no fim da noite

Dessa forma, só um profissional de saúde consegue distinguir esses quadros com segurança. Se você se identificou, procure avaliação médica antes de qualquer decisão de tratamento. Além disso, lembre-se de que o diagnóstico define o caminho terapêutico, e não o contrário.

Mulher deitada com notebook e exausta

Cannabis e burnout: como o CBD atua no organismo

O canabidiol (CBD) é um composto da planta Cannabis. Em pesquisas com animais, ele mostrou efeitos ansiolíticos, em parte pela ativação dos receptores de serotonina do tipo 1A (5-HT1A) e dos receptores canabinoides do tipo 1 (CB1). Uma revisão sistemática de 2024 indicou que o CBD pode reduzir a ansiedade com poucos efeitos adversos em comparação ao placebo.

Quando falamos de cannabis e burnout em humanos, a principal evidência vem de um ensaio clínico brasileiro. O estudo foi publicado no JAMA Network Open, em 2021, e conduzido no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Os participantes eram médicos, enfermeiros e fisioterapeutas da linha de frente da COVID-19. Eles receberam CBD mais o cuidado padrão ou apenas o cuidado padrão. O resultado foi uma redução dos sintomas de burnout e de exaustão emocional no grupo do CBD.

Segundo uma análise do Portal Afya, os participantes que usaram CBD tiveram reduções importantes nos escores da escala MBI-HSS no 14º dia, em comparação ao tratamento padrão . 

Como todo tratamento, o uso de cannabis e burnout deve ser avaliado caso a caso. O que funciona em um grupo de profissionais durante uma pandemia pode não valer para todas as pessoas. Por isso, os pontos abaixo merecem atenção:

  • Prescrição médica: o uso só deve ocorrer com indicação e acompanhamento profissional.
  • Monitoramento: exames e consultas de retorno ajudam a identificar efeitos adversos.
  • Tratamento integrado: o CBD não substitui psicoterapia, descanso e mudanças na rotina de trabalho.

Homem deitado nos próprios braços exausto
Cannabis é para mim?


Em resumo, o burnout é um fenômeno ocupacional reconhecido pela OMS e diferente da ansiedade e da depressão. Cannabis e burnout é um tema em pesquisa: há um ensaio clínico brasileiro com resultados positivos, mas com limitações importantes.

Então, esse tratamento é para você? A resposta depende de uma avaliação médica individual. Se você reconhece esses sinais, converse com um profissional de saúde, pois ele poderá indicar o melhor caminho, que pode ou não incluir o CBD.

 

Referência

BURNOUT na clínica psiquiátrica: relato de um caso. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2006.

CANABIDIOL, ansiedade e memórias aversivas: uma revisão das evidências pré-clínicas. Revista Fitos, Rio de Janeiro, 2025.

CRIPPA, José Alexandre S. et al. Efficacy and safety of cannabidiol plus standard care vs standard care alone for the treatment of emotional exhaustion and burnout among frontline health care workers during the COVID-19 pandemic: a randomized clinical trial.

HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Ansiedade, depressão e burnout: como tratar transtornos psicológicos. São Paulo, 18 set. 2024. 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Burn-out an “occupational phenomenon”. Genebra: OMS, [s.d.]. 

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. CID: burnout é um fenômeno ocupacional. Brasília, DF: OPAS, 28 maio 2019. 

THE IMPACT of cannabidiol treatment on anxiety disorders: a systematic review of randomized controlled clinical trials. Life, Basel, v. 14, n. 11, p. 1373, 25 out. 2024. DOI: 10.3390/life14111373. 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. [Título do trabalho]. [S. l.]: UFRGS, [s.d.].